quinta-feira, 28 de junho de 2012

Flesh Gordon...eu disse Flesh...




Muito bem, vamos pegar as situações básicas para uma boa aventura de ficção científica espacial: Um herói bonitão, forte e valente; uma companheira sexy e esperta; um velho mentor; um vilão perigoso e corrupto de outra galáxia; uma boa quantidade (e variedade) de robots e extraterrestres; companheiros corajosos & monstros nojentos. “Guerra nas Estrelas”, você diz! Bom, não exatamente... Aqui nós apresentaremos uma nave em forma de pênis, um vilão gay, uma tribo de guerreiras lésbicas, robots estupradores, um perigoso raio sexual e mais...muito mais ...


Flash Gordon (eu disse Flash!) é um herói das histórias em quadrinhos criado por Alex Raymond em 1934, sob encomenda para rivalizar com o sucesso de então nas tiras diárias dos jornais Buck Rogers. Sucesso em adaptações para o cinema, seja em seriados nos anos 30 ou em uma versão de Dino DeLaurentiis com trilha sonora da banda Queen em 1980.










 Em 1972, o produtor Howard Ziehm, associado com William Osco, decidiu fazer uma versão erótica da história juvenil e nasceu assim “Flesh Gordon” dirigido por Ziehm e Michael Benveniste (o roteirista, afastado da direção por sua pouca experiencia), para a produtora especializada ( “Mona”, “Hollywood Blue”...) Graffiti Productions.


Nesta história, o louco, tarado e boiola Imperador Wang "O Pervertido" ( William Hunt ) resolve devastar a Terra, lançando sobre nós um poderoso raio que causa um tesão absurdo, fazendo com que todos trepem alucinadamente, o tempo todo. O Herói Flesh (Jason Williams) é convocado para junto do malucão dr. Jerkoff ( Joseph Hudgins) e de sua amada Dale Ardor (Suzanne Fields) voarem até o planeta Porno, para deter a catástrofe.

                                    Wang "the Pervert"




Mas até que o nossos heróis consigam derrotar o vilão, terão que enfrentar terríveis Pênissauros; amazonas lésbicas rebeldes; hermafroditas monstruosos/malucões; o horrendo Grande Deus Porno; os terríveis robots tarados com brocas no lugar dos paus e muitos outros perigos sexuais!

                                                               o "Grande Deus Porno"

Os filmes da produtora na época, não ultrapassavam a casa dos U$ 10.000, mas decidiram investir U$ 25.000 em um filme com um roteiro linear, uma sátira. William Hunt, associado  com uma companhia teatral (amadora) de Los Angeles foi quem sugeriu Flash Gordon. E sua companhia foi contratada para ajudar no casting, figurinos e cenários. Mas havia o problema dos efeitos especiais, muito presentes no roteiro.


 Um estudante de cinema, amigo do roteirista, organizou um entusiasmado grupo de jovens técnicos em FX: David Allen, Jim Danforth, Doug Beswick, Dennis Muren, Rick Baker e outros. Na época, um grupo de garotos em busca de trabalho e reconhecimento. Mais tarde, todos se transformaram em profissionais prestigiados e premiados.

                                                  cuidado com o Pênissauro!!!

Por restrições do orçamento, foi optado em rodar o filme em 16mm e depois amplia-lo opticamente em 35mm para a exibição em cinemas. Ziehm, que só rodava em 16mm e pouco entendia da parte técnica, teve que com a ajuda de uma lupa, examinar praticamente cada pequeno frame rodado, para decidir o que seria ampliado. O elenco foi formado com amadores de experiência teatral  e o casal principal, por Pretty Girl International, uma agência especializada em performances pornôs.


 Suzanne Fields (ou Cindy Hopkins, seu outro nome artístico) nasceu em 1950, foi modelo e ingressou no mundo do cinema erótico em 1969 em "The Stewardesses", um filme erótico/lésbico, rodado em 3D, e tinha larga experiência tanto em soft, quanto em hard core (na época ainda muito underground).
Inicialmente ela recusou o papel, estava prestes a se casar e ficou um pouco assustada por ter muitas falas e dizia não saber nada sobre o herói Flash Gordon. Mas após assistir alguns capítulos do seriado dos anos 30, achou que tudo seria divertido.

Fields na mão (de plástico, forrada com almofadas) do monstruoso Deus Pornô, se divertindo com  as filmagens.

Já, Jason Williams (Flesh), tinha apenas dois filmes em seu currículo, nem um deles de cunho erótico. Se transformou em um especialista no gênero e participou também de filmes de horror/FC como "Time Walker" (1982); "Vampire at Midnight" (1988) ou "Society" (1989)...













Muitos outros extras vieram do chamado "cinema adulto" ( como a porno-star Candy Samples), o que facilitou a vida dos produtores com a natureza sexualmente explícita do filme. Ziehm disse a para a revista "Femme Fatales" (set.1997) : "Quando rodei as cenas de orgia no palácio do Imperador Wang, eu tinha que dizer "você faz isto... você fica lá...Eu não tive este problema ao rodar a cena de orgia no reino do Príncipe Precioso, onde eram todos gays. Eu só disse "Ação!" (risos) e nada parava eles...




A realização de "Flesh Gordon", não foi nada tranquila, o orçamento, apesar de grande para a produtora, era pequeno para o tamanho da empreitada...Ziehm conta em Femme Fatales, que teve problemas com um de seus ex-parceiros na produção: "Enquanto ele dirigia um Rolls Royce, eu tinha que dizer aos rapazes dos efeitos que não tinha dinheiro para paga-los..."

Já Tom Scherman( supervisor de efeitos especiais fotográficos) na revista Cinefantastique em 1974 fala: "Toda a filmagem foi uma comédia de incompetência, 
O gênio real por trás da produção foi Mike Minor. Apesar dele ser apenas o diretor de arte, na verdade ele produziu e dirigiu o filme."


 a veterana Candy Samples...

Outros problemas vieram do numeroso elenco que reunia pessoas com experiência teatral, amadores e performances pornôs. Nem todos estavam preparados como a veterana Candy Samples(1940) que faz o papel da Rainha das Amazonas Lésbicas. Suzanne Fields conta que na cena em que é seduzida por uma jovem Amazona, a garota que contracenava com ela levou tudo muito a "sério"  e "... depois de terminarmos  de rodar,  ela queria PAGAR para poder transar comigo "de verdade"... 


Com todos os problemas e "ao trancos & barrancos" o filme foi terminado e editado com 110 minutos de duração. Mas os custos haviam sido muito maiores do que o planejado, e um lançamento no circuito X-Rated seria bastante limitado nas bilheterias. A solução veio com o corte de todos os detalhes mais explícitos (homo & hetero) e o filme estreou  em New York em 1974, com a classificação "R" (apenas restrito a menores de 18 anos)  e com 78 minutos.



Mesmo o lançamento não foi tranquilo. A editora Kings Feautures Syndicate, dona dos direitos sobre o herói de Alex Raymond, moveu um processo para impedir a exibição. A Graffiiti Productions recorreu e ganhou a ação. Quando o filme estreou na Itália, com grande divulgação a editora tentou impedir novamente mas acabou desistindo, e a paródia sexy fez grande sucesso mundo afora, principalmente na Europa.
Howard Ziehm produziu/dirigiu vários outros filmes eróticos, mas ficou preso ao sucesso de sua "Space Porno Opera". Em 1979, ele dirigiu (com seu pseudônimo Linus Gator) o pornô "Star Virgin" . Um robot fálico, mostra a uma garota criada em laboratório ( a modelo da revista Hustler Kari Klark) várias cenas de sexo envolvendo a então extinta raça humana. A melhor delas, muda e em P&B, mostra o Conde Drácula (Johnny Harden) com o auxílio de um Igor (com uma máscara de Richard Nixon) penetrando bem mais do que os dentes em uma bela vítima...










                                                    cenas de "Star Virgin"


Em 1989, adaptando um roteiro que fora escrito em 1977, Ziehm finalmente tomou coragem para fazer uma continuação de seu herói: "Flesh Gordon and the Cosmic Cheerleaders" (ou Flesh Gordon 2). Agora, Flesh (Vince Murdocco) é raptado por um grupo de  cheerleaders de um mundo conhecido apenas como "Planeta estranho", onde todos os machos ficaram impotentes pela ação do vilão Evil Presence (William Dennis Hunt). Dale Ardor (Robyn Kelly) vai atrás de seu namorado, mas fica prisioneira dos maldosos assistentes do vilão-brocha que quer transplantar o pênis de Flesh em si mesmo.


Apesar de várias belas garotas, uma infinidade de criaturas monstruosas/engraçadas (criadas por Jim Towler) e efeitos visuais "retrôs" de Thomas Hitchcock, a pergunta que o diretor mais ouviu foi "Onde está o Sexo?"...
Os tempos politicamente corretos, pós Era-Reagan (e pós AIDS) tiveram seu efeito sob a produção e fora alguns peitos a mostra, os asteroides peidorrentos e um King Kong mijão (ótima animação!), muito pouco ficou da atmosfera realmente sacana do original.



Do elenco original, apenas William Hunt, reprisando seu tipo "vilão-canastrão-afetado" está presente. Suzanne Fields se casou logo após o filme original e deixou a carreira, e Jason Williams e outros não estavam interessados...


Hunt como Evil Presence... na verdade o Imperador Wang em novos tempos e roupagem...


Em 1995, Ziehm colaborou com a produtora Hen's Tooth para o lançamento de uma edição especial em vídeo do filme original. A imagem foi restaurada assim como o trailer original, e 10 minutos de cenas inéditas foram reeditadas em um belo VHS com a arte do cartaz na caixa. Segundo Howard Ziehm, esta versão de 90 minutos é a definitiva, mesmo sem as cenas explícitas.

                                       meu VHS original... o herói foi vencido pelo mofo...




            FLESH GORDON!...nosso herói espacial...





                                                                                                                           by Coffin Souza

terça-feira, 26 de junho de 2012

Arte Dark Sutilmente Erótica de Irina Istratova, Big Bad Red






Irina Istratova é uma artista digital, fotógrafa e fotomanipuladora, que nasceu na Rússia, mas vive na Ucrânia desde 2010. Irina tem 25 anos e usa o pseudônimo de Big Bad Red, busca inspiração em livros, músicas e pessoas conhecidas, mas o grande motivador de sua criação, segundo ela, é sua depressão.
Sua arte, pricipalmente ilustrações,  tem uma tendência dark sutilmente erótica, com garotas super sexys, no estilo góticas, nas mais variadas situações, com clima macabro na maioria das obras.

 










Seu trabalho de retoque e manipulação fotográfica nos transporta para um mundo mágico, misturando realidade e fantasia, trazendo a lembrança de contos de fadas, num misto de beleza e terror.







Conheça mais sobre o trabalho de Big Bad Red, visitando seu site: http://www.bigbadred.com/



 
 








Texto e pesquisa: Gisele Ferran
@Gi_de_Gisele 

 
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