sexta-feira, 12 de abril de 2013

Demonia Entrevista Erik Müller Thurm


Erik Müller Thurm é artista visual formado pela Universidade de Campinas (UNICAMP). Com experiências em Arte e Multimídia, viveu em cidades como Londres e Berlim. Atualmente desenvolve ilustrações usando os meios digitais, bem como os meios tradicionais da Pintura e Assemblage com sucatas, e participa do cenário underground e alternativo do cinema de horror e fantástico.
Erik presenteou o blog She Demons Zine e nossos leitores com uma linda arte da personagem símbolo do blog: Demonia.
Prestigie a arte e conheça um pouco mais sobre esse talentosíssimo artista na entrevista abaixo:
Demonia by Erik Müller Thurm
 
Como e quando foi seu primeiro contato com a arte em geral? E em que momento você sentiu necessidade de se expressar por meio da arte? Sua família te incentivou ou influenciou de alguma maneira?

Eu desde criança, assistia os desenhos animados na televisão, os clássicos Hanna Barbera, Pica Pau, Pernalonga, Coiote e Papa Léguas, Olho Vivo e Faro Fino, Bob Pai e Bob Filho, Homem Pássaro, além dos episódios de Spectreman e Ultraseven. Eu vivia desenhando, os super heróis das revistinhas como Homem Aranha, Capitão América, Hulk, Namor, Thor, Batman, basicamente Marvel e DC. Tinha vários lápis de cor, e todo papel em branco estava eu lá desenhando um herói, hehehe. Eu também me lembro, de curtir os livros Gênios da Pintura, que tinha em casa, da Editora Abril, com as obras dos Mestres como Caravaggio, Da Vinci, Picasso, Rubens, Vermeer, Modigliani, Picabia, entre outros.

Posso dizer que tive um apoio da minha família, no que se refere a eles fornecerem os materiais para eu usar como lápis e tintas, além da possibilidade de adquirir revistas em quadrinhos e conhecer um pouco da História da Arte pelos livros. No decorrer desse processo, fui autodidata até quando entrei no curso de Artes Plásticas, na UNICAMP, em 1993. Antes disso, já tinha feito exposições no colégio com desenhos, editado zines sobre quadrinhos entre outras atividades do tipo, e continuo a pesquisar materiais e técnicas, e procuro me atualizar sempre em relação aos movimentos artísticos contemporâneos.






















Quais são as técnicas que você utiliza e com qual você mais se identifica e se especializou?

Eu costumo dizer que eu vim do Desenho, pois sempre desenhava os super heróis. Pintava também, usando guache, como toda criança, não é? Quando, na adolescência, conheci os quadrinhos de Bill Sienkiewicz, pelas histórias do Demolidor, e logo na seqüência, a arte de Dave McKean, fiquei maravilhado pelas possibilidades estéticas criadas pelo uso da Técnica Mista, onde esses artistas misturavam em seus desenhos Xérox, Fotografia, materiais externos como pregos, moedas, alfinetes, pedaços de latas enferrujadas, tecidos, entre alguns outros. Para mim, foi realmente uma nova condição de criação usando esses materiais na qual pesquiso e pratico até hoje.




Quais são suas referências? E de onde você busca influências e inspiração?

Os quadrinhos foram a minha primeira influência, e em seguida, a Arte como a Pintura, o Desenho, e a Collage, onde conheci através das obras de Picasso, e, já cursando Artes Plásticas na UNICAMP, quando conheci o mestre da Collage, o artista alemão Kurt Schwitters. Na faculdade pude pesquisar mais sobre a técnica da Collage e Assemblage, bem como pude praticar também criando colagens em papel, e em painéis com sucatas, tintas e outros materiais.

Os artistas e os movimentos modernos dentro da História da Arte são basicamente a minha área de interesse e referência, e cito nomes como Robert Rauschenberg, Max Ernst, Jim Dine, Georges Braque, Joseph Cornell, Raoul Hausmann, os brasileiros Tide Hellmeister, Jorge de Lima, Nuno Ramos, Silvio Alvarez, e os coletivos de arte e graffitti contemporâneos, que também utilizam a Collage em suas produções.

Eu sempre fui muito observador, interessado e curioso no funcionamento das coisas, sejam elas da Natureza, criadas pelo Homem, ou pela simples contemplação ao acaso de algum instante. Uma característica minha é que sempre fui fã de ficção científica, e da Ciência, tanto pelos desenhos, tanto quanto por influência de meu pai, que é engenheiro elétrico. Desde sempre então, eu curtia fazer inventos, abrir os brinquedos para ver o que tinha dentro, e como funcionavam... Vivia rodeado de aparatos elétricos, traquitanas e quinquilharias, que eu passava horas montando e desmontando, desenhando esquemas e diagramas, entre vários desenhos de super heróis...
Creio que tudo isso contribui para formar a minha pessoa artística e o meu caráter empírico em relação à Natureza à minha volta. Assim sendo, quando comecei a ler mais sobre Ciência, e a conhecer mais as Artes Visuais e os artistas, bem como o Cinema, resultou em minha formação como ser humano, e que vem sendo desenvolvida até o presente momento.



Na época de universidade, você produziu um média metragem em película Super-8, fale um pouco sobre o filme e da importância dessa experiência.



Sim, eu e alguns colegas de curso tínhamos algumas idéias em comum, em relação à Cinema e Filmes, e também tínhamos as câmeras e projetores de Super-8 de nossos pais, então, resolvemos fazer um filme. Esse filme foi batizado de “A Bagagem Hermética”, uma brincadeira com o nome do quadrinho do grande Moebius, “A Garagem Hermética”, onde a trama se desenvolve entre dois personagens, um viajante e um cara que dá carona em seu velho Dodge Polara. O filme demorou cerca de dois anos e meio para ser finalizado, várias locações, pessoas, personagens e histórias aconteceram ao longo dessa jornada em película preto e branco, hehehehe, o que daria um post só para o filme e seus “causos”. O mais legal dessa nossa investida no cinema underground e independente, foi ter a possibilidade de fazer cinema com nossas próprias mãos, e poder conhecer pessoas que compartilhavam as mesmas idéias, e participar de cineclubes e mostras de cinema, viajando pelo país com o filme e exibindo sempre que possível. O contato com o público, e as opiniões e comentários que ouvíamos era sempre bem vindo, e sempre podíamos trocar idéias sobre a experiência do filme com diversos tipos de pessoas. E olha, de vez em quando, sempre alguém me pergunta desse filme, pois sem querer assistiu em algum lugar, ou conheceu alguém que mostrou o filme, ou conheceu alguém que participou dessa produção. Se caso alguém tiver interesse em ver essa obra prima da média metragem udigrudi nacional, em película, pode entrar em contato comigo para pedir uma cópia do filme.




Quais seus artistas preferidos (cinema/música/literatura...)?


Eu curto muitos artistas, em várias modalidades e gêneros artísticos. A minha principal influência é o mestre da Collage Kurt Schwitters. Seu trabalho é único, e quando o conheci pela primeira vez, eu pensei assim, que parecia que ele tinha feito aquilo para mim. Sabe esse tipo de encontro e identificação? Foi assim, que aconteceu, bem como com as obras do Robert Rauschenberg, que também bebeu bastante na fonte inspiradora do Schwitters. Tenho uma grande admiração e ele me influência muito, apesar de que eu sempre procuro atingir uma veia mais Erik, mas o grande dave McKean é outro mestre para mim. Mais artistas? A lista é longa, mas gente como Jim Dine, Joseph Cornell, Nuno Ramos, Tuneu, Wesley Duke Lee, Derek Gores, Nicholas de Stael, Pablo Picasso, Juan Gris, Oscar Schlemmer, Otto Dix, Stan Winston, Max Bill, Louise Nevelson, Winston Smith, Paulo Ito, Deddo Verde, David Lynch, Clive Barker, HR Giger, Edgar Franco, Leyla Buk, Eduardo Srur, Paulo Costa, Eduardo Borovik, Francis Bacon, Marcel Duchamp, Velasques, Caravaggio, Max Ernst, David Hockney, Peter Blake, Edward Kienholz, alguns nomes nas Artes Plásticas.
No Cinema, eu curto os diretores Wes Craven, Stanley Kubrick, Don Coscarelli, Petter Baiestorf, Sam Raimi, Jorge Grau, Anthony Hickox, Frank Henenlotter, Patrick Lussier, William Lustig, John Waters, David Cronenberg e é claro, Alfred Hitchock, Roger Corman, John Carpenter e o mestre George Romero! Os escritores que eu mais conheço são Edgar Allan Poe, e H.P. Lovecraft, e os mestres Stephen King e Clive Barker. Alguns nomes que não me lembro agora, pois como sou das Artes Visuais, não lembro de outros autores para citar, e para não deixar de fora, digo que os autores underground nacionais e estrangeiros tem meu total carinho, hehehe... 


Quais as maiores dificuldades que os artistas visuais enfrentam para seguir na carreira?


Eu imagino que isso pode ter sido algo mais drástico antigamente, mas depois do Modernismo, apesar de ainda a luta ser árdua, os artistas puderam sobreviver com a arte que faziam, ou pelo menos, levando a arte para os campos do Design, da Moda, da Ilustração, Tipografia, Cenografia, enfim. Lembramos de Andy Warhol, que era um Artista Gráfico, e fez um estrondoso sucesso no mundo das Artes Plásticas. Depois do aparecimento da Televisão e mais recentemente com as Mídias Computadorizadas, creio que as oportunidades estão esperando serem criadas e preenchidas, porém, como essas são mídias ainda um tanto quanto novas, nós estamos em fase de modificações e enquadramentos, até podermos dizer o quanto elas são plausíveis e de acesso democrático.

 
Quais a novidades, novos projetos para este ano?


A batalha com a Arte, e pela Arte segue em frente, hehehe... Neste ano de 2013, a idéia é fazer mais Collage, estudar mais um pouco também, quero voltar a ler mais um pouco, e me dedicar à prática do fazer artístico. Não que eu não tenha feito isso no decorrer dos tempos, mas acho que esse ano vai ser interessante me dedicar um pouco mais. Estou voltando com o meu fanzine também, que eu editei no começo dos anos 90, o Total Hate Zine, e assim, poder contribuir com a cena do Heavy Metal e Underground como já havia feito antes, porém agora, com a ajuda dos meios internéticos e até intergalácticos, não é mesmo? Vou lançar em formato original, xerocado, em papel, e na Internet também, junto com sites de música com os sons das bandas, para as pessoas poderem acessar e conferir o som em tempo real com as matérias editadas. Eu estou participando de uma banda, fazendo vocal, além das letras e designs, logo mais teremos um material para divulgação, assim que tiver estarei divulgando nos meios especializados. Eu também faço designs e o material de divulgação para a Grife Olhar de Gata Moda & Estilo, da minha namorada Caa Del Rosal. Ela produz peças autorais e exclusivas, no estilo Dark, Vamp e Gothic. E pretendo fazer uma exposição individual, dos meus trabalhos digitais impressos e das Collagens de sucatas Mixed Media, de repente, no segundo semestre.

Enfim, bastante trabalho pela frente, a quem quiser saber mais, é só me adicionar nas redes sociais ou entrar em contato por e-mail.





Muito obrigada por esta maravilhosa conversa e também pela arte da Demonia, saiba que foi um prazer entrevistá-lo. Para encerrar, sinta-se a vontade para acrescentar algo que não foi revelado pelas perguntas anteriores, e também para deixar seu contato (site, blog e/ou e-mail) para que os leitores do blog SHE DEMONS possam conhecer melhor sua arte e entrar em contato.



Eu agradeço imensamente pela oportunidade de falar com o blog e poder honrar a Demonia com uma arte minha. Sempre acompanho o blog e não vejo a hora de ver a minha entrevista nele, fazendo parte do cast com outros artistas de alto nível que vocês apóiam e divulgam!
Para conhecer mais o meu trabalho, visitem minha página no Facebook:  https://www.facebook.com/ErikMullerThurmArtworks e no Deviant Art: http://digitalskeleton.deviantart.com  
A página do Fanzine: https://www.facebook.com/TotalHateZine 
Meu e-mail para contato: erikthurm@yahoo.com.br 




 

  

Por Gisele Ferran



Um comentário:

  1. Grande Erik,

    Muito bom ler sua esclarecedora entrevista e conhecer um pouco mais de suas referências!
    Sou grande admmirador de sua obra e sempre me surpreendo com a beleza e força delas, como esse belo retrato da D-Monia!
    Ficaria lindo em uma camiseta do BLOG, fica a dica!

    Força, honra e muito sucesso com sua arte!

    Abraço pós-humanista,

    Ciberpajé (A.k.a. Edgar Franco)

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