segunda-feira, 30 de junho de 2014

Bettie Page na Arte de Robert Blue

Robert Dunlap Blue nasceu em Los Angeles em 1946. Filho do ator-comediante e empresário da noite Ben Blue ( gerente de boates/cassinos em Las Vegas e Santa Monica, California ) e da artista e show-girl Axie Dunlap.




Com estas provocativas personalidades influenciando sua formação, o jovem Robert começou a colecionar revistas eróticas de pin-ups e fetichismo aos 10 anos de idade.
Ele serviu ao exército americano como desenhista técnico de mapas durante a Guerra do Vietnã e estudou na Escola de Arte e Desenhos da California e ganhou o Bacharelado em Artes Plásticas em um instituto em Los Angeles.


















Inspirado pelas fotografias eróticas de bondage de Irving e Paula Klaw, Robert começou a produzir murais com pinturas da rainha das pin-ups Bettie Page em 1971. Suas pinturas de 2m x 1m retratavam Bettie em tamanho natural, com intricados detalhes de suas roupas, destacando suas meias-arrastão e corsets e claro suas curvas e poses eróticas. Ele também pintou quadros com outras pin-ups diferentes e outros motivos, mas a sua longa série inspirada em Bettie é que lhe trouxe fama e lucros. 



"Eu sou um fetichista", declarou rindo o artista em uma entrevista para a jornalista Laura Schiff. "Eu simplesmente nasci de novo como um pervertido".


Robert Blue foi muito criticado pelo meio acadêmico por sua obsessão e dedicação pelas pin-ups, mas seus quadros alcançaram grande valor e uma pintura original de Bettie podia ser vendida por mais de 10.000 dólares nos anos 70!
Entre os colecionadores famosos de sua obra estão Jack Nicholson, Barbra Streisand e Hugh Hefner...



Em 1979 Robert se juntou a Brian Davis e fundaram a Davis-Blue Artwork, uma editora de livros de arte e posters com mais de 25 artistas diferentes contratados.
No meio dos anos 80, duas coisas influenciaram sua carreira, primeiro a produção do filme "Heartbreakers" (Triângulo das Paixões, 1984) de Bobby Roth. Este drama sobre amizade e romances complicados mostra a vida de dois amigos, Arthur Blue (Peter Coyote), um pintor fetichista e Eli (NIck Mancuso) que se apaixonam pela mesma mulher, a dona de uma galeria de arte (Carole Laure). 




O filme é uma ficção levemente baseada na carreira e vida de Robert Blue, a troca de seu primeiro nome ficou por conta das liberdades artísticas do roteiro, principalmente o triângulo amoroso/ménege à trois entre os personagens principais, que nunca aconteceu. Um novo interesse pela sua obra e um revival das fotos e filmes com Bettie Page aconteceram então.



Um ano e meio depois, Robert foi comunicado de que Bettie, então com 62 anos, havia se convertido novamente ao cristianismo e não queria nada que a associasse a seu passado, e que supostamente havia rompido o contrato de imagem que permitia ao artista reproduzir a sua imagem. Na verdade Bettie havia tido problemas com uma revista dedicada a ela e que não lhe rendia um centavo. Bettie sempre fora amiga e Robert e então assinou um contrato final, permitindo sua obra pelo resto da vida.



                                                                Bettie Page real.....


+Robert Blue sucumbiu a um câncer no cérebro, em Santa Monica, em 1998. Sua esposa Linda e seu irmão Tom, dirigem a Robert Blue Foundation, criada em sua memória para ajudar vítimas de câncer do cérebro.
+Bettie Page faleceu em Dezembro de 2008 aos 85 anos. Ela sempre foi grata a artistas plásticos como Dave Stevens, Olivia (Olivia de Berardinis) e principalmente a Blue, por perpetuarem em obras de arte sua imagem de Rainha das Pin-Ups.

Um pouco das obras de Blue retratando Bettie :














                                                                                                                By Coffin Souza

sexta-feira, 27 de junho de 2014

O Médico, o Monstro e as Garotas...


A novela "The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde" (O Médico e o Monstro) do escritor escocês Robert Louis Stevenson foi publicada em 1886. Na narrativa, o respeitável médico e cientista Henry Jekyll, descobre e testa em si mesmo, uma poção capaz de separar seu lado mais sombrio e perverso, se transformando no amoral e maligno sr. Edward Hyde.


No livro e nas dezenas de adaptações para o cinema, o que fica explícito é o caráter libidinoso do "Monstro-Hyde": antes de levar seu "hospedeiro" a destruição ele concede a Jekyll, momentos de prazer, sexo, violência e amoralidade. Claro que isto gerou versões femininas, sacanas e "abusadas" !
Ainda no cinema mudo apareceu "Miss Jekyll and Madame Hyde" (1915) de Charles Gaskill, com J.H. Lewis como o dr. Henry e Helen Gardner como sua esposa Madeleine Jekyll e o lado perverso Madame Hyde. Nesta mesma versão, um personagem novo chamado Baron Stana (vivido por Paul Scardon, um travesti!) é um influência maligna para o casal.



As versões clássicas da história apareceram em 1920, 1932 e 1941; e variações de todo tipo e países pipocaram nas telas. Mas ficaremos aqui, apenas com suas encarnações mais sexuadas/sensuais... Em "Daughter of Dr.Jekyll" (A Filha do Médico e o Monstro, 1957) de Edgar G. Ulmer, a bela Janet (Gloria Talbott) descobre que é a filha do infame médico e passa a acreditar que também tenha uma personalidade dividida, sendo uma delas a de uma assassina. Mas nada disto acontece neste pequeno filme de terror dirigido sem vontade pelo diretor de "O Gato Preto" de 1934. O assassino na verdade é um lobisomem...Stevenson se retorce na tumba!




A Hammer filmes fez um cocktail de referências góticas com "Dr. Jekyll and Sister Hyde" (O Médico e a Irmã Monstro, 1971) de Roy Ward Baker. O bondoso Dr. Jekyll (Ralph Bates) procura uma toxina para curar várias doenças. Acaba encontrando uma fórmula que o transforma em uma bela e perigosa mulher (Martine Beswick). Ele necessita de hormônios femininos para continuar seus experimentos, e apela para a ajuda dos notórios ladrões de cadáveres e assassinos Burke & Hare. Logo toda Londres acredita que o assassino é...Jack o Estripador!






"The Adult Version of Jekyll & Hyde" (1972) de Lee Raymond e Byron Mabe  acrescenta erotismo (soft e trash) na mesma história. Aqui um médico maluco e assassino (Jack Buddliner) descobre a antiga fórmula e ao toma-la se transforma em uma mulher perigosa chamada Miss Hyde (Jane Tsentas) ! Mas se o cara já era violento e doido, que "nova personalidade" é esta? Gay, certamente, já que ele/ela faz sexo com homens e mulheres! Produção do mestre David Friedman com a atriz pornô Rene Bond.






Outra mistura interessante da história é "Dr.Jekyll y el Hombre Lobo" (1972) de Léon Klimovsky. Valdemar Daninsky (Paul Naschy/Jacinto Molina), o eterno lobisomem espanhol, procura o neto do Dr. Jekyll (Jack Taylor) para tentar uma cura da sua maldição. O soro da dupla personalidade o transforma em um novo Hyde muito tarado e cuja a outra face continua a ser...um monstro peludo!











A história sempre foi sempre uma das favoritas para paródias pornôs. Em 1973 apareceu o obscuro "The Naughty Dr.Jekyll" e o engraçado Harry Reemes estrelou " The Erotic Dr.Jekyll" (1976) de Victor Milt. A deusa Ashley Gere fez das suas em "Dr.Jeckel and Ms. Hide" (1990) de Michael Craig e o ator/diretor Paul Thomas fez "Jekyll & Hyde" (2000) com Taylor Hayes...





"Docteur Jekyll et les Femmes" (Dr. Jekyll e as Mulheres,1979) de Valerian Borowzyck trás Udo Kier (que já viveu Drácula e o Dr. Frankenstein) no papel do médico que com um banho de produtos químicos se transforma física e mentalmente. Ele vira um Hyde (Gérard Zalcberg) obcecado por estupros e violência e com um pênis "monstruoso"!













 Depois de várias mortes, sua amada e virginal noiva Miss Fanny Osbourne (Marina Pierro nota: Fanny Osbourne era o nome da esposa de Robert Louis Stevenson!), também se submete ao tratamento e os dois fogem para viverem seu louco amor. Um diferencial na versão do tarado diretor polonês, é que o Dr. Jekyll não é um médico bonzinho, ele se submete a transformação no intuito de liberar e aproveitar seus instintos sádicos.  Com participações de Patrick Magge e Howard Vernon. Prêmio de Melhor Diretor no Festival Internacional de Sitges em 1981.





A pornochanchada italiana "Dottor Jekyll e Gentile Signora" (1979) de Steno (Stefano Vanzina), tem a deusa Edwige Fenech em apuros e confusões com a dupla personalidade de Jekyll/Hyde do comediante Paolo Villagio.





Roger Corman produziu "Dr.Heckyl and Mr. Hype" (A Experiência Fatal, 1980) de Charles B. Griffith. O gentil mas extremamente feio podólogo Henry Heckyl ingere uma fórmula secreta criada por um colega e se transforma no bonitão sedutor (mas violento e amoral) Sr.Hype. Comédia de terror com diversas participações especiais (Jack Coogan, Dick Miller...)





Em "Edge of Sanity" (À Beira da Loucura, 1989) de Gérard Kïkoine, Anthony Perkins é um Dr.Jekyll "doitaço" que faz experimentos com cocaína. Ao perder o controle, se transforma em Jack Hyde e ronda as ruas de Londres catando e matando prostitutas e "fazendo a cabeça"!
O eterno Norman Bates fazendo o mesmo papel durante 30 anos; um ex-diretor pornô que sempre gostou de terror e mais uma conexão entre Hyde e Jack o Estripador...mas é legal!







"Dr.Jekyll and Ms.Hyde" (O Médico, a Mulher e o Monstro, 1995) de David Price é uma comédia bastante bobinha sobre Richard Jacks (Tim Daly), um especialista em perfumes que um dia topa com a fórmula especial de seu bisavô. Ele acaba experimentando a poção e se transforma na linda e sedutora Helen Hyde (Sean Young). Mas seu alter-ego quer se livrar dele a todo custo...







Uma nova revisão erótica do mito apareceu em "Dr.Jekyll & Mistress Hyde" (2003) de Tony Marsiglia. A doutora Jackie Stevenson (Julian Wlls) testa um soro para curar psicoses sexuais femininas. Após um teste inútil com uma paciente, ela serve de cobaia e se transforma na libidinosa Heidi Hyde. Ela passa a rondar as noites de Los Angeles em busca de prazeres lésbicos sem fim. Mas Heidi acaba se mostrando perigosa e Jackie perdendo a noção de realidade...






                                                                                                                by Coffin Hyde Souza
   



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