segunda-feira, 23 de novembro de 2015

As Muitas Vidas de Barbara Steele





Sua presença está marcada fundo na carne do cinema Cult. Sua imagem ficou impressa magicamente como no sudário de Turin. Estas maçãs do rosto esculpidas, lábios cruéis, olhos selvagens, cabelos negros como corvos...




Nascida em Cheshire, Inglaterra, a atriz Barbara Steele transcendeu as armadilhas de sua carreira, para se tornar algo como uma deusa. Uma mulher que viveu e foi parte importante do mais vibrante e criativo período místico do cinema europeu. Ela estrelou diversos filmes de terror dos anos 60, como o clássico gótico "A Maldição do Demônio", e outros thrillers atmosféricos como "O Diabólico Dr. Hichcock", "Dança Macabra", "A Máscara do Demônio", "Amor de Vampiros"...




Trabalhou com Roger Corman-Vincent Price  na adaptação de Edgar Allan Poe "O Poço e o Pêndulo", e roubou a cena na obra prima confessional de Federico Fellini "8 e meio". Estrelou depois uma miríade de produções de gênero americanas como "Celas em Chamas" de Jonathan Demme, "Calafrios" de Cronenberg, "Piranha" de Joe Dante, além de participar graciosamente do controverso drama de época "Pretty Baby- Menina Bonita" do seu então namorado Louis Malle. Ela até trabalhou como produtora com Dan (Dark Shadows) Curtis e ganhou um prêmio Emmy por isto...



- Você cresceu na Inglaterra durante a Segunda Guerra, sem dúvida tempos de medo e desorientação. Quais são suas mais antigas lembranças da época ?

-Bem, eu não achava que existia um mundo que não fosse em guerra. Eu acho que só se encontrava metade das pessoas na rua durante o dia, então no meio da noite, todos estavam naqueles abrigos anti-aéreos, cantando antigas canções irlandesas. De alguma forma, toda a Inglaterra era uma ilha de loucos alcoólatras, eu me lembro do cheiro da bebida e da carga dramática que as pessoas carregavam naqueles dias.

- Foi o caos que lhe levou a atuar? Foi diversão ou fuga?

- Na verdade eu estava me formando para ser uma artista plástica. Eu sempre quis ser uma atriz, mas eu achava que isto não seria possível. Olhando para trás, esta seria minha última opção. Minha família queria que eu escolhesse algo mais sério - como ser farmacêutica, por exemplo- Ah! eu no entanto estudei pintura e me tornei atriz por acidente! isto porque eu nasci em uma família muito conservadora, mas fui matriculada em uma escola muito  progressiva, avançada. Um lugar aonde  se acreditava em "amor livre", e não se tinha nenhuma restrição. Os banheiros eram coletivos e então com 15 anos, você tomava banho junto com sua professora de história. Existia um sub texto extremamente erótico lá, e de outro lado, uma Inglaterra muito repressora. Eu cresci com esta dualidade e conflito.




- Você apareceu em inúmeros pequenos papéis na Inglaterra antes de se destacar no "Boom" do cinema de gênero italiano. O que a lhe levou para lá?

- Bem, eu tinha uma dupla de contratos- um em  particular com a organização de J. Arthur Rank, que era muito bom, porque me permitia terminar os estudos. este contrato foi depois negociado com a Fox; que foi como eu acabei trabalhando  nos Estados Unidos, mas eu devo a Rank por me emprestar para os italianos para fazer "Black Sunday" (n.t.: "La Maschera del Demonio/A Maldição do Demônio").
A Itália teve este impacto poderoso, voluptuoso, emocionante em mim, e eu me sentia viva. Como se eu me subitamente me visse vivendo com toda a generosidade, energia, alegria e otimismo do coração deste povo. Eu senti um frenesi de vitalidade e criatividade. Eu sei que muitas pessoas vem para a Itália para uma visita de duas semanas, e saem de lá 50 anos depois,em um caixão...

- "A Maldição do Demônio" de muitas formas foi o marco zero do sucesso internacional do cinema comercial italiano...

- Bem, eles tiveram os "Toga Movies" (Peplum) antes, então, todos os forçudos, os musculosos com corpos oleosos - Steve Reeves e todos os outros- foram sucesso antes do terror.

-Falando em "corpos musculosos", você já encontrou novamente seu colega no terror italiano Mickey Hargitay?




- Sim, eu encontrei, mas não tivemos realmente uma conversa. Ele estava em um voo com um amigo meu, mas não na verdade não tenho certeza se nos falamos...

- O que você se lembra de Mark Damon, que acabou se tornando um produtor de sucesso em Hollywood?




- Eu conheci Mark muito bem! Acho que estivemos juntos na Itália o tempo todo. Ele era adorável, com um sorriso perpétuo no rosto, muito alegre e relaxado. Ele era um bom linguista e me ajudou com o italiano e ficamos grandes amigos neste período.

- E Tomas Milian?




- Oh! Eu adora Tomas! Nós fizemos juntos uma peça "The Island", que foi apresentada no "Festival dos Dois Mundos" em Spoleto. Eu fazia uma sereia com uma cauda maravilhosa, e ele era um marinheiro em um barco encalhado. Era uma peça teatral bastante filosófica, mas tudo veio literalmente "por água a baixo"em uma cena em que eu mostrava os meus seios. Um "carabinieri" veio e colocou um fim em tudo. Eram tempos diferentes...

- Tempos que não voltam mais...

- Bem, eles eram muito inocentes do seu jeito, e de uma forma que isto não os atrapalhava. A Itália parecia uns 10 anos mais jovem do que a América e eles tinham este senso de alegria, tudo era para cima e erótico. Tudo tinha um envolvimento sensual, mas não decadente. Era os anos 60, e no fim, a América acabou se transformando em uma loucura horrível. Eu sempre quis vir para a América, então porque me senti tão deslocada e sem rumo aqui? A mesma língua não significa termos a mesma cultura. Eu me sinto mais próxima dos trabalhos que fiz na Itália e na França dos que os que fiz na América.





-Voltando a "Black Sunday", você fez um teste para o papel?

- Não! Eu havia feito um ensaio para a revista LIFE, que Mario Bava viu, e ele me escalou baseado nestas fotos. Ele apenas me chamou e eu tive que começar  trabalhar imediatamente.

- Você falava italiano?

- Não! Nem uma palavra. Mas eu falava francês, e no fim é até parecido.




- Você ficou apreensiva quando leu o roteiro ? 

- Roteiro? Nós NUNCA tivemos um roteiro! Na Itália todos trabalhavam com grande espontaneidade e no completo caos, então era só se juntar a eles. Você não olha ara nada objetivo quando faz um filme. Aquilo é tudo na sua vida. Todos pensam que temos uma visão perfeita do que vamos fazer, mas não temos...principalmente na Itália.

- O que você pode comentar da personalidade de Bava ?




- Um homem muito tímido. Ele era um brilhante diretor de fotografia e tinha um maravilhoso senso visual, mas era bastante fechado como diretor. Os atores eram apenas objetos em sua grande visão. Peças que ele mexia como em um tabuleiro de xadrez. 

- Sair do mundo caótico de Bava para o mundo comercial de Roger Corman deve ter sido chocante, não?

-  Eu acho que na verdade Roger era muito parecido com Mario, ambos eram muito privados, educados, cultos e tímidos. É interessante que ambos tinham estas qualidades e acabaram expressando elas pelos filmes de terror.

- É claro, teve o diretor Riccardo Freda - de O Diabólico Dr.Hichcock e O Demônio e o Dr. Hichcock (Lo Spettro) - um temperamento muito diferente.





- Eu adorei trabalhar com Freda, ele era do meu jeito, porque era muito emocional e tinha estes momentos de explosão, emoção, fúria! Eu pensava - Yes! É assim que tem que ser, vamos ser reais aqui!

-Ele era muito talentoso e interessante...

- Um tirano sim! Mas eu nunca o desaprovei, eu entendia sua paixão e humanidade. Eu já contei esta história uma centena de vezes , mas para fazer "Lo Spettro", Freda, que colecionava cavalos de corrida, trocou um de seus favoritos com o produtor, para poder fazer o seu roteiro de foma mais rápida e barata possível. E ele o fez em 10 dias! Foi uma maratona insana, fabulosa. Seu temperamento não atrapalhava, porque não havia crueldade ou desprezo, somente paixão e frustração. Ele era muito "operístico"!




- Freda talvez fosse mais parecido com Federico Fellini?

-Sim, você está correto, eles eram italianos típicos e eu me agrado disto. Gosto das coisas altamente emocionais. Você sabe, eu na verdade nunca tive realmente um papel emocional. Eu sempre fiz estes papéis duplos que eram personagens formais e reprimidos. Eu tinha perto dos 20 anos, e me pediam para atuar como uma mulher de 50, com aquele tipo de graça e formalidade. Hoje em dia tudo é tão rápido que chega a ser cansativo.




- A arte real em todos os seus filmes de horror clássico foi a sutileza e o sub intendido, você não acha? 

- Sim, eu concordo. Hoje em dia é só sangue e tripas jogadas na sua cara. Medo não é o que você experimenta, mas o que você antecipa experimentar. Então, nas pausas e nos momentos de hesitação, o público projeta seus medos e imagina o que você está vendo e sentindo. É muito mais poderoso do que você forçar a sentir sustos a cada 20 frames...

- Calafrios de David Cronenberg, certamente não serve como exemplo de sutileza...





- Bem, David é descontroladamente talentoso, mesmo com todos os fluidos corporais que espirram em seus filmes.

-Vamos falar das séries "Winds of War" (Sangue, Suor e Lágrimas) e "War and Remembrance", como você encontrou Dan Curtis?




- Eu trabalhei no setor de desenvolvimento de roteiros da Paramount por anos. Acho que eu devia ter experimentado ser diretora, porque sou uma pessoa muito visual, mas n aqueles dias as mulheres ainda ficavam somente no segundo escalão, e não era fácil fazer uma mudança.
Eu encontrei Dan neste período. Eu fiz pesquisas para ele. veja, Dan não conhecia a Europa muito bem, e eu sim. Assim eu pude coloca-lo em contato com os locais e as pessoas, e foi assim que acabei trabalhando no mundo do holocausto.

- Parece que Curtis tinha um pouco da tirania de Freda...

-Ele era como o dono de um circo, e parecia um leão feroz também! Muita gente ficava horrorizada com ele. Trabalhei com uma atriz em New York, que  dizia que preferia cometer suicídio do que trabalhar com Dan.




- Mas você não teve problemas com ele, teve?

- Não, não muito. Nós tínhamos temperamentos parecidos e eu não me assustava com ele. Eu tinha uma grande química com Dan, mas tenho que dizer que não gostei de produzir. Foi uma experiência muito interessante, mas muito longa e pesada. Fazer as duas séries foi como fazer 30 longas com o mesmo assunto. Um dia estávamos rodando cenas em 3 países ao mesmo tempo. Havia um incrível trabalho com as equipes, e uma energia coletiva, mas também muitos problemas. Nós trabalhávamos sem parar, eu me admiro como Dan sobreviveu a isto, como qualquer diretor sobrevive a isto...

-Você pretende continuar a atuar?

- Eu nunca pretendi ter uma carreira de atriz em Hollywood, porque eu  não consigo pensar na ideia de sentar em uma longa fila de cadeiras com outras atrizes para ler 5 linhas para um teste-audição sem ficar intoxicada de raiva! Para mim, audições são a maior calamidade do planeta. Além disto, não tenho empresário nem agente...





-Você é considerada uma das mais belas mulheres do cinema de horror, o que pensa disto ?

-Bom deus! Eu nunca me senti como um símbolo sexual, sou mais o tipo intelectual. Eu me sinto mais confortável escondida em um grande e largo casaco. Mesma na minha adolescência, eu nunca andei por aí com meus seios a mostra e meus lábios entre abertos. Não é coisa para mim, eu sempre preferi ser o cara com o chicote, você sabe?...




-Você viveu muitas vidas, e isto é essencial para ser quem você é. A grande questão é : Por que você não escreveu sua biografia ainda?

- Bem, eu me sinto moralmente ambígua em escrever sobre lugares e pessoas que conheci. E realmente eu poderia escrever muita coisa com detalhes fenomenais sobre vários fatos. Mas, por anos e anos, pessoas com bolas de cristais, feiticeiros da América, bêbados no fog londrino, amantes em Florença, amantes em naufrágios e terremotos, escreveram suas histórias em livros. Desculpe, mas na verdade sou muito retraída e tímida, ou privada e insegura...

Entrevista para Chris Alexander FANGORIA MAGAZINE # 320








quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Coelhinhas do Terror : Elas Vieram da Mansão Playboy...Parte 3




HOPE MARIE CARLTON : A Coelhinha da edição de Julho de 1985 e estrela de diversos vídeos eróticos da Playboy - Terminal Exposure (1987), Slaughterhouse Rock/Demônios de Alcatraz (1988), A Hora do Pesadelo 4 : O Mestre dos Sonhos (1988), Praia Selvagem (1989), Slumber Party Massacre III (1990), Bloodmatch (1991), Os Ghoulies Vão ao Colégio (1991), The Stand/ A Dança da Morte (TV-1994)...








TARA REID : Coelhinha de Janeiro de 2010 (com peitos ultra-turbinados) apareceu antes ao natural em A Return to Salem's Lot (1987), Lenda Urbana (1998), Os Viajantes do Tempo (2201), Alone in the Dark - O Despertar do Mal (2005), O Corvo - A Vingança Maldita (2005), Incubus/Pesadelos Mortais (2005), O Ataque das Víboras (2008)...e em Sharknado I, 2 & 3 (2013, 2014,2015)....











DOROTHY STRATTEN - Miss agosto de 1979, Coelhinha do Ano de 1980 e uma das preferidas de Hugh Heffner...teve um fim trágico ao ser  estuprada e assassinada por seu empresário e ex-marido quando tinha apenas 20 anos... - A Ilha da Fantasia (TV-1979), Buck Rogers (TV- 1979), Galaxina (1980). 


p.s. A rainha das Scream Queens Jamie Lee Curtis, interpretou a vida de Dorothy no telefilme Death of a Centrefold/ Mulher Ardente (1981).









PAMELA ANDERSON : Coelhinha turbinada de fevereiro de 1990 e recordista (até hoje) de capas da revista - A Flor Mortal (1993), Barb Wire - A Justiceira (1996), Almas Nuas (1996), Scooby Doo (2002), Todo Mundo em Pânico (2003), Super-Herói : O Filme (2008)...











DREW BARRYMORE: Em Janeiro de 1995, Drew com 19 aninhos mostrou seus peitinhos nas páginas da revista...não que a garotinha de E.T. e neta de John Barrymore precisasse...mas agradecemos! 
-  Viagens Alucinantes (1980), E.T. - O Extraterrestre (1982), Chamas de Vingança (1984), Olhos de Gato (1985), Waxwork II: Perdidos no Tempo (1992), Doppelganger/Enigma Mortal (1993), Batman Eternamente (1995), Pânico (1996), As Panteras (2000) Donnie Darko (2001)...  



















BO DEREK : Primeiras fotos em Agosto de 1980, depois em Setembro de 1981, uma das favoritas de Heffner, miss Derek posou  novamente aos 40 anos na edição de Dezembro de 1994 - Orca, A Baleia Assassina (1977), Tarzan o Filho das Selvas (1981), Os Fantasmas Não Transam (1989), Horror 101 (2001), Sharknado 3 (2015)...








Muitos outros rostos (e corpos!!!) famosos apareceram nas páginas da revista do coelho safado: Susan Denberg, Sybill Danning, Claudia Jennings, Grace Jones, Bai Ling,Lindsay Lohan, Shannon Tweed, Stella Stevens, Elke Sommer...
Mas encerramos por enquanto com uma das preferidas do titio Coffin:

MARILYN CHAMBERS : ( R.I.P. Abril 2009) Ensaio em Abril de 1974 - O Corujão e a Gatinha (1970 ), Enraivecida na Fúria do Sexo/ Rabid (1977), Insatiable (1980), Angel of H.E.A.T. (1983), Insatiable II (1984)...  Depois de fazer Atrás da Porta Verde (1972) e Resurrection of Eve (1973), seu ensaio deve ter sido como um passeio no parque...


















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