domingo, 4 de junho de 2017

Mariza: A "Gênia Louca"





Mariza Dias Costa nasceu em 16 de outubro de 1952 na Guatemala! Filha do diplomata brasileiro Mario Loureiro Dias Costa e da dona de casa Maria Odila Dias Costa. A família tinha a "rotina" maluca dos dos diplomatas: viveram em Roma, Paris, Rio de Janeiro, Assunção, e...Bagdá! "A menina Mariza não brincava de bonecas, preferia as histórias em quadrinhos da Luluzinha, Ferdinando e o Pererê de Ziraldo. E Amava desenhar. Nas aulas de matemática, não entendia nada e ficava desenhando escondida. Fez um intensivo de segundo grau aos 16 anos e até hoje não sabe a tabuada do 3. Mariza fala perfeitamente o francês, inglês, e italiano, além de português e espanhol. Arrisca-se sem passar vergonha no guarani (que herdou do Paraguai), no grego e no árabe, aprendido em Bagdá."





Ela queria ser antropóloga, mas não teve mais paciência com sua "inimiga" matemática, e aos 17 anos deixou a escola. A jovem Mariza adorava Rock'Roll (assistiu aos Beatles em Roma em 1965) e curtiu muito a lisergia...Maconha, LSD, Heroína, Crack, Daime, Ayahuasca, e...bem, tudo mais...
Um dia, de volta ao Brasil, ela descobriu o humor anárquico do Pasquim, e resolveu mostrar uma série de desenhos que havia feito quando esteve no Iraque, e que mostravam figuras humanas misturadas com animais e criaturas fantásticas. Foi empregada na mesma hora! 






  Mariza nunca tinha tempo para namorar; desenhava, estudava a fundo a história da arte, experimentava novas drogas, e os caras desconfiavam de uma garota que andava com tênis de cores diferentes em cada pé e com um colar feito de de corrente de descarga de privada. "Eu andava com ele o tempo inteiro. Acho que era meio punk para a época", admite.









 No pasquim, além de ficar amiga dos artistas Millôr Fernandes, Ziraldo,Jaguar, Fortuna e cia., ela arranjou um namorado e foram morar juntos. Mariza engravidou logo, e em 1977 nasceu seu filho Diogo. O menino nasceu com uma malformação cardíaca grave, e em busca de um tratamento especial, o casal se mudou para São Paulo. Dois anos e meio, e duas cirurgias depois, o menino morreu. Mariza já separada do companheiro (que retornou ao Rio) mergulhou em profunda depressão e voltou com toda a força as drogas. Em meio a terapias e "viagens", ela bateu às portas da redação do jornal A Folha de S.Paulo e ganhou o emprego na qual ficou mais conhecida: ilustradora exclusiva da coluna "Diário da Corte" , do prestigiado jornalista Paulo Francis...




Entre 1978 e 1990, duas vezes por semana (quartas e sábados), os leitores se deliciaram com as palavras e ideias do principal colunista da Folha e com as ilustrações cheias de vigor, criatividade e fúria da "louca" Mariza.
 E ela "aprontava", utilizando as máquina de Xerox e Fax (tempos antes do photoshop) para misturar seu traço ( nanquim, ecoline e  guache sobre papel) com texturas feitas de pedaços de recortes, tecidos, embalagens, lixo!






No livro "Mariza...e depois a maluca sou eu!" ( 2013,  Editora Peixe Grande) ela conta histórias engraçadas sobre a busca por estas testuras que ela passava pela máquina de xerox: meias, gravatas e até uma saia, que pedia para seus colegas emprestado..."Até cascas de bananas passaram pelo xerox da Folha, para então virar parte das ilustrações que Mariza fazia para Francis".



Conheço e admiro o trabalho de Mariza desde suas colaborações na revista Mad brazuca, e admito, nunca fui fã de Paulo Francis, mas sempre espiva sua coluna para ver os desenhos...Agradeço aqui a minha amiga ( maluquinha) e também artista plástica, Pomba Cláudia, que me emprestou este livro lindo e inspirou esta postagem! 



Quando seus incríveis desenhos foram substituídos por fotografias para ilustrar a coluna, Mariza saiu da Folha, trabalhou no Jornal da tarde e passou a fazer "frilas" para diversas revistas e livros. E continuou suas experiências com "substâncias ilícitas"... 







O resultado destes experimentos em si mesma, foram diversas internações, algumas bem sofridas. Durante a primeira destas internações (em 2001), Marisa Dias Costa escreveu ( e ilustrou, é claro!) um lindo, doloroso e jornalisticamente poderoso relato de seu dia a dia e de suas colegas problemáticas.




De volta a Folha, desde 1999, ela ilustra a coluna semanal do psicanalista Contardo Calligaris. Ele comenta "Isto eu e Mariza temos em comum: Gostamos de errar pela cidade e não deixamos de olhar para o que aparece em suas sarjetas. Temos, em suma, um repertório comum de detritos com os quais eu tento escrever, e ela desenhar." "A ilustração de Mariza, comparada com o tom médo do texto, parece gritar...ela grita, em geral, um desconforto esquecido atrás da coluna." 








A pequena e magrinha "dona" Mariza Dias Costa, a MARIZA...é maluquinha (e malucona!)...e também, um Gigante da arte e ilustração brasileira...






























                             Malucões amados: Mariza com Paulo César Pereio! 







3 comentários:

  1. AMO A MARIZA DESDE QUE A CONHECI NO PASQUIM!!!!

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    1. Fã desde que conheci sua arte Feroz & Original, na revista Mad brasileira e Folha de São Paulo...

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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