terça-feira, 25 de julho de 2017

A Origem Secreta da MULHER-MARAVILHA! (Segunda Parte)



 Como vimos na primeira parte, o surgimento da Mulher Maravilha nos quadrinhos é uma mistura de contexto social e vida (s) pessoal (ais).  Se por um lado Superman deve sua origem a conceitos de ficção científica e Batman às histórias de detetive noir, a Mulher-Maravilha tem em sua origem muito mais que questões ligadas aos quadrinhos – ela apresenta uma utopia feminista e a luta pelos direitos das mulheres, bem como protestos sufragistas, contracepção, aborto, relacionamentos controversos, BDSM, etc. 




William Moulton Marston, era um homem carismático, multitalentoso, ambicioso, e um entusiasta sincero do movimento feminista. Mas também era alguém polêmico e contraditório.  Sua ambição era se dedicar a uma vida acadêmica de prestígio. Mas, ao se formar, as coisas não saíram bem como planejado. Marston exerceu várias profissões e tocou alguns negócios ( Escritório de Advocacia, empresa de Engenharia, escritório de Publicidade e comércio de tecidos, como seu pai; entre outros...), fracassando na maioria dos seus projetos. Advogado, pesquisador, professor, romancista, escritor de livros teóricos, publicitário; também se tornou consultor do estúdio Universal durante a transição do cinema mudo para o sonoro.... dentre outras muitas atividades.
 Também foi processado por credores e investigado pelo FBI por um caso de fraude. E a ironia era que o homem que havia ajudado a criar o detector de mentiras e lutava pela verdade...era um bom...mentiroso. "Charlatão-erutido e/ou gênio (nunca consegui chegar a uma conclusão)..."  (Cris Ware).
 Praticamente, por onde ele passava gerava controvérsias por suas ideias nada convencionais sobre a natureza humana (ele não via o homosexualismo e travestismo como desvios) e a relação entre homens e mulheres (para ele, os homens teriam muito mais a ganhar num mundo dominado pelas mulheres). Ele fazia de sua vida ( e a das mulheres de sua vida) experimentos para seus estudos. Estes estudos eram considerados pouco científicos, e, assim, ele se tornou persona non grata no mundo acadêmico.




A primeira tentativa de Marston de marcar seu nome na História foi com a invenção do detector de mentiras. Na verdade, com o teste de detecção de mentiras, no qual se media a pressão sanguínea para avaliar alterações de humor. O teste nunca foi levado a sério por autoridades judiciárias e pela polícia, parte por preconceito pela novidade, parte pelas dúvidas de sua eficácia. Em 1921, um concorrente, John Augustus Larson, teve mais sorte. Seu polígrafo utilizava um conjunto de fatores (pressão sanguínea, pulsação, respiração e condutividade da pele) para saber se alguém estava mentindo. Em pouco tempo, Marston viu o polígrafo de Larson ser adotado por vários departamentos de polícia pelos EUA, enquanto seu teste era desacreditado. Anos depois, ao criar a Mulher Maravilha, ele usuraria o Laço da Verdade como uma metáfora ao seu teste. 




Marston nunca desistiu de promover a eficácia do teste, o que gerou grande repercussão na mídia, mas quase nenhum reconhecimento de fato e pouco retorno financeiro.
Em 1940, já na meia-idade, frustrado profissionalmente, havia anos com a família sendo sustentada pelos empregos mais estáveis de sua esposa Elizabeth, Marston deu uma entrevista para a revista Family Circle. O título era "Don’t Laugh at the Comics" (Não riam dos quadrinhos). Marston enaltecia o potencial educador dos quadrinhos, um fenômeno recente na cultura de massa da época, e que conquistou as crianças (e adultos) e se tornou a maior preocupação de professores e pais. Para muitos, os quadrinhos era violentos, estimulavam a delinquência juvenil e estavam repletos de mensagens subliminares pervertidas. O editor da All-American Publications (que depois se fundiria com outras editoras para formar a DC Comics) Max Gaines ficou tão impressionado com as palavras de Marston que o contratou como consultor. 



Moulton, que já havia sido consultor da Universal Pictures, chamou Harry G. Peter (H. G. Peter foi escolhido a dedo para desenhar a amazona. Nos anos 1910, o desenhista fez parte da equipe artística da revista de humor crítico "Judge" e contribuiu para as páginas sufragistas de "The Modern Woman", que também era ilustrada por Lou Rogers, posteriormente diretora de arte da revista de controle contraceptivo "Birth Control Review") para desenhar a história de sua heroína amazona, que, embora tenha alcançado sucesso entre homens e mulheres de diversas gerações tão logo foi lançada, carregava por trás de sua criação um passado tão controverso que, caso chegasse ao conhecimento de seus editores e de seu público, seria banida para sempre das bancas de jornais. 




 Qualquer um que leia hoje os quadrinhos escritos por Marston vai notar como a Mulher Maravilha era uma personagem à frente do seu tempo. Infelizmente, ao redor dela, não havia muito do que Marston se orgulhar. As histórias da Mulher Maravilha promoviam um feminismo muito particular, no qual apenas a heroína era uma mulher independente, bela, forte e de bom coração. Nenhuma outra personagem feminina chegava aos seus pés, nem suas amigas, nem as vítimas inocentes, e muito menos as vilãs sensuais.  Para piorar, os roteiros de Marston traziam o mesmo racismo e xenofobia de outros quadrinhos da época. Pessoas negras eram retratadas como bonecos de piche, de fala caipira....



 Assim como mexicanos eram quase selvagens. Na grande maioria, os vilões eram estrangeiros, principalmente alemães( representando o nazismo), e chineses e japoneses (o "perigo amarelo").



Apesar dos ataques e críticas, Marston ficou à frente de sua criação até a morte, em 1947. Depois disso, a princesa amazona deixou a controvérsia de lado. O editor Robert Kanigher, que não gostava da personagem, ficou responsável pela revista. A Mulher Maravilha se tornou uma garota comportada. Nas décadas de 50 e 60, o conceito original de Marston foi bastante descaracterizado, e as alusões a qualquer tipo de perversão foram retiradas e as vendas da publicação caíram drasticamente 




O que só foi recuperado, de certa maneira, nos anos 1970, quando a Mulher Maravilha estampou a primeira capa da revista feminista "Ms.", as histórias de Marston  foram reeditadas e lançaram a série de TV com Linda Carter.







Nos quadrinhos, a volta triunfal da Mulher Maravilha se deu pelas mãos do desenhista e roteirista George Perez, em meados dos anos 1980.




 Em 76 anos de existência, entre altos e baixos, o brilho da princesa amazona nunca realmente se apagou. Presente em várias mídias e no imaginário popular por décadas, a Mulher Maravilha se tornou um dos símbolos mais relevantes da cultura pop...Mas, mais fantástico ainda, são os detalhes da vida das MULHERES Maravilhas que a inspiraram.

Marston, antes de de criar a Wonder Woman, vivia desempregado (não ficava em nenhum emprego ou negócio próprio por mais de um ano...). A grande casa aonde moravam em Rye, New York, abrigava 4 crianças (dois filhos de Marston com Elizabeth, e mais dois com Olive), o próprio Marston( que passava grande parte do dia em seu escritório, deitado, escrevendo e bebendo muito), suas duas esposas (Betty usava o tradicional anel de casamento, e Olive seus braceletes como símbolo), e muitas vezes uma terceira mulher - Marjorie W. Huntley...



Foto da família Marston em torno de 1947- William no centro; na extrema esquerda, Marjorie Huntley; na extrema direita: Elizabeth Holloway Marston; a direita, acima, de branco: Olive. Os outros são filhos...



Em 1918, Marston servia ao Exército americano, cuidando de soldados traumatizados depois da guerra, na base Upton, em New York. Marjorie era a bibliotecária da base, tinha 29 anos, divorciada, independente, feminista, sufragista e ...sadomasoquista. Marston tinha 25 anos e estava longe da esposa. Passaram seis meses juntos. Muito do que o autor aprendeu sobre bondage & SM foi com ms. Huntley. 
 "Ninguém sabe mais sobre a produção da Wonder Woman do que Marjorie W. Huntley", disse Elizabeth Holloway. Na década de 1940, Huntley ajudou com as cores e o letreiramento dos quadrinhos da Mulher Maravilha, incluindo os muitos quadrinhos que que mostravam mulheres acorrentadas, atadas, mãos e pés. 



 Huntley acreditava no que ela chamava de "ligação amorosa": a importância ( e o prazer) de ser amarrada e acorrentada. Ela também acreditava na consciência extra-corporal, vibrações, reencarnação e na natureza psíquica do orgasmo... Huntley participaria esporadicamente da família-liberal-poliamorosa (Marjorie era hiper-ativa e nunca ficava muito tempo em um mesmo lugar)... quando ela estava na casa dos Marston, tudo cheirava a incenso... 





Huntley,  Olive Byrne,  Bettye Holloway e Marston participaram do que Jill Lepore descreveu como "culto ao sexo" em 1925-26 na casa da tia de Marston, Carolyn. Os participantes celebravam o poder sexual feminino, o domínio, a submissão e o amor, formando "Unidades de Amor" que consistiam em trocas de parceiros, bondage, orgias etc...




 Marjorie ficou ao lado de Olive, Betty e do resto da família, depois que Marston morreu...



CONTINUA...



Pesquisas:

https://en.wikipedia.org/wiki/William_Moulton_Marston

https://www.theguardian.com/books/2014/dec/28/secret-history-wonder-woman-jill-lepore-observer-review

http://www.flavinscorner.com/drww.htm

https://www.theatlantic.com/entertainment/archive/2014/10/wonder-womans-feminism/381579/

http://www.smithsonianmag.com/arts-culture/origin-story-wonder-woman-180952710/?no-ist

http://comicsalliance.com/wonder-womans-elizabeth-holloway-martston-olive-byrne/

Um comentário:

  1. Brilhante e texto excelente sobre á " A Origem Secreta da Mulher Maravilha " escrevendo sobre o filme recente dela eu não assisti assim como não assisto nenhum filme de herói mais adaptado para o cinema ,antes eu ia ao cinema assistir ate gostava mais depois do Homem de Ferro 3 o meu conceito para esse tipo de filme caiu muito pois e sempre a mesma coisa herói contra vilão, problemas para resolver como conflitos psicológicos e infantilização todos os filmes basicamente são assim ,o que basicamente me incomodou em Wonder Woman é que está na primeira guerra e não na segunda ( á personagem foi criada na segunda guerra) Hollywood tem um medo atualmente de retratar o nazismo no cinema vide ( Capitão América ,deixaram os nazistas pra segundo plano ,colocando á Organização Hidra como vilã ,sendo no HQ o Caveira Vermelha sempre obedeceu ordens dele sem questiona-las) e agora isso medo! ate á protagonista é israelense ,será o fato disso que não podem falar de nazismo e tudo o que ele representou principalmente o Holocausto ,os judeus todo ano nos faz lembrar desta data e de que nunca mais aconteça isso ,mas Hollywood esta sempre na contra mão ,apesar que o mundo está novamente vivendo momento tenebroso como intolerância , nacionalização, xenofobia e aumento de grupos de extrema direita , até a serie com á lindíssima Lynda Carter em sua primeira temporada ela enfrentava os nazista e um episodio da segunda temporada Hither volta á vida ,Hollywood pensa que vai esconder o nazismo e tudo que ele representou de ruim para humanidade o escondendo nesse filmes idiotas de herói Marvel & DC .Desculpe me alongar nesse comentário mas essa é a minha sincera opinião Mestre Coffin Souza ,que já viu um filme de herói já viu todos e recentemente vi o "Logan" á despedida de Hugh Jackman como Wolverine em DVD alugado pela á minha irmão que insistiu para eu assistir o filme com ela o filme é fraco e eu já sabia do final antes de assistir o filme ,pois quando um ator que se despedir do personagem ,qual o melhor modo de faze-lo já que você não vai mais interpreta-lo ?
    Logico ! Se você assistiu o filme sabe á resposta é mesma coisa que estou fazendo com uma historia que criei aqui e já estou quase terminado e o final é mesmo do " Logan " isso 7 anos atrás eu criei o final da minha historia.
    Espero á conclusão da saga da " A Origem Secreta da Mulher Maravilha " então até, Mestre do mundo underground Coffin Souza ! E me desculpe alguma coisa que escrevi ,um abraço de Anselmo /Spektro 72

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